Avaliações do V Amazonas Film Festival

Segundo um motorista:

- Daniele Suzuki é animada

- Maria Flor é bonita

- Matheus Nachtergaele é tarado

Segundo um competidor da mostra digital de curtas nacional

- Tem muito dinheiro desperdiçado

- Tem pouca programação acadêmica

- Tem ninguém do Amazonas pra formalizar uma reclamação?

Segundo um ator “global”:

- O secretário é legal

- O governador também

- Quero voltar ano que vem

Obs.: Os nomes foram ocultados para preservar a identidade/integridade dos colaboradores deste post.

Publicado em:  on novembro 12, 2008 at 11:05 am Comentários (3)

Welcome to the jungle!

Acordar cedo é difícil. Pra mim, pelo menos, é. Acordar às 3h30 sob uma chuva torrencial equivale à quebra de um recorde olímpico. E era mais ou menos com esse espírito que eu deveria começar o dia da última quarta-feira.

5h na TV, 5h30 no porto do São Raimundo, 6h na balsa, 6h45 no Iranduba, 7h30 no Km 38 da estrada Manoel Urbano. Cronograma seguido à risca para o “Athletics in the Jungle”. Oficialmente, o evento representava uma comemoração dos 90 anos da Confederação Sul-americana de Atletismo (CONSUDATLE), presidida pelo amazonense Roberto Gesta. Mas o comentário era que a “presepada toda é uma miguelagem pros cara votarem no Brasil pra sede das olimpíadas de 2016”, segundo um espontâneo senhor envolvido na organização.

E não era pra menos, a competente confederação conseguiu reunir praticamente todos os principais nomes do atletismo. E o melhor, nomes conhecidos de décadas passadas que mantiveram-se no esporte como líderes de organizações internacionais esportivas – alguns deles diretamente ligados a escolhas de sedes olímpicas. Na lista de convidados estavam Sebastian Coe (“o cara” das olimpíadas de Londres 2012), Sergey Bubka (medalha de ouro em Seul 1988 e líder do esporte na Ucrânia), Lamine Diack (autoridade máxima do atletismo mundial), entre outros. Além das estrelas brasileiras em Pequim, Maurren Maggi e Fabiana Murer (aquela que perdeu a vara).

O cenário estava do jeito que gringo gosta! No picadeiro, digo, na pista improvisada pela comunidade indígena Sahu-ape, dezenas de crianças disputavam provas de “30 metros rasos” para a alegria dos visitantes que assistiam da arquibancada ao lamaceiro – lembra que choveu a madrugada inteira? Pois é.

Já a comunidade foi uma atração à parte. Não pelos atletas mirins, mas pelos papais deles. Nosso colega Dudu foi tentar negociar uma carona de voadeira para atravessar um trecho do rio Ariaú e o generoso índio dono do barquinho já gritou de longe: “A gente aceita Real se o senhor preferir!” – exclamou o sorridente satere-mawe guardando alguns dólares na tanga. No final do evento, outro colega, o Rafael, resolveu puxar assunto com a cacique da aldeia e responsável pela venda do artesanato.

- Bonito seu trabalho. A senhora sobrevive dessa venda?

- A gente tenta, mas vocês não compraram nada, né?!

Já no retorno, comentei a história com um rapaz que nasceu na Sahu-Ape, mas estuda em Manaus. Depois de ouvir com um sorriso meio debochado, o cabeludo olha pra mim e solta a pérola do dia: “A gente aprendeu tudo isso com vocês”.

Vai dizer que não?!

+ info: www.portalamazonia.com/jungle

Lambança prestes a começar!

Lambança prestes a começar!

Publicado em:  on outubro 22, 2008 at 8:54 pm Comentários (1)

Fecani, cruzeiro e toalha

Pra conversa de início (como diria o Seo Antônio lá do Maranhão), este blog não foi atualizado anteriormente por conta dos eventos da Feira Internacional da Amazônia, solenidades/festividades de formatura e, principalmente, uma virose fulminante adquirida na corrente semana.

Bem, o assunto já ficou frio, mas, como havia prometido, vamos ao Festival da Canção de Itacoatiara!

O texto publicado anteriormente gerou controvérsia, pois, segundo o recém-jornalista Victor Sato, “a onda mesmo é viajar pra dormir”. Isso sim é turismo de coisa nenhuma! E pior (ou melhor…), lembrei que lá tem igreja em tudo que é esquina – o que torna a cidade detentora de atrativos não sazonais! Quase uma potência turística! Na verdade, o cenário relatado de uma Itacoatiara pacata se encaixa em qualquer período do ano – menos em setembro, durante 4 dias.

Organizado pela AIRMA (Associação dos Itacoatiarenses Residentes em Manaus), o FECANI consagra o município como a capital da música brasileira, pelo menos por um fim de semana. Com premiações que somam mais de R$ 70 mil (a maior do país), reúne músicos de todas as regiões do Brasil – os ganhadores deste ano, Ivânia Catarina e Carlos Gomes são de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente.

Durante o dia, enquanto as apresentações das 34 músicas classificadas não começam, a programação paralela vai desde concurso de poesia falada até campeonato de arrancada. Sem contar com as mostras de artesanato e gastronomia. É… Antes de conhecer eu também pensava que o festival era só da canção.

E se a música é o mote da festa, os convidados para “atração nacional” nunca decepcionam. Este ano, por exemplo, mostrou que a organização tem bom senso ao trazer o paraibano Zé Ramalho para se apresentar no palco principal. Uma escolha bem oportuna para o tipo de evento.

Melhor do que isso, só visitar as barracas ao Centro de Eventos Juracema Hollanda, onde acontece o Fecani, para descobrir que tem saudosista pra tudo! Até pra moeda que não vale mais!

 

Pena que o dono não estava presente pra explicar o cartaz. Será que a barraca está fechada desde 1994??? 

Pena que o dono não estava presente pra explicar o cartaz. Será que a barraca está fechada desde 1994???

Já no quesito hospedagem, minha diversão é garantida, como sempre acontece em grande parte dos municípios do nosso estado! Privadas transbordantes, estrados de beliche assassinos prestes a desabar, colchões facilmente confundidos com edredons, cascatas na porta do quarto durante a chuva e a minha incessante busca por toalha.

 À tarde, na recepção:

- Tu tens uma toalha pra me arranjar?

- Ai mano, só com a Dona Cláudia mais tarde…

- Mas é só uma toalha de banho… normal…

- Ai… é que.. (o telefone toca) peraí só um instantinho… (ela atende) Eu levo já lá!

- Tu sabes o quarto?

- Sei, é o 6, né?

- Não, é o 10.

Ela nunca apareceu.

À noite, com o vigia-recepcionista:

- O senhor tem uma toalha?

- Rapaz… (ele levanta da cadeira de embalo, se vira em direção ao balcão e vê uma toalha “embolada” junto às chaves) tem uma aqui (pega a toalha, dá uma fungada vibrante avaliando seu estado e me entrega confiante) …essa aqui tá limpinha, macho!

- Valeu. (eu aceito)

 

Publicado em:  on setembro 26, 2008 at 5:16 pm Comentários (5)

O turismo de coisa nenhuma

 

Você já foi a Itacoatiara? Conhece alguém que tenha ido? Esse alguém descreveu a cidade como um lugar “quente que não tem nada pra fazer”. É verdade. Que bom.

 

Há menos de dois anos, entrevistei, pelo Estação Turismo (www.estacaoturismo.tv.br), o explorador-aventureiro-jornalista-fotógrafo-escritor-etc Aírton Ortiz. O cara já bebeu sangue de vaca com uma tribo Massai na Tanzânia, já ajudou um sucessor do Dalai Lama a fugir do Tibete, subiu o Himalaia, atravessou a Amazônia de barco e até refez o caminho do homem pré-histórico brasileiro a partir de sua origem – um currículo de botar no chinelo o mais intrépido dos turistas. Resultado: a entrevista, que era pra ser de 15 minutos, durou 50 e rendeu um programa especial dificílimo de ser editado. Ao final do bate-papo, perguntei que dica Ortiz daria a alguém prestes a realizar uma viagem. A resposta foi imediata. “Dispa-se de todos os preconceitos e converse com as pessoas. Não há nada melhor do que conhecer os reais habitantes do lugar, conversando de igual para igual”. Esqueci a postura de repórter e comecei a concordar complementando suas respostas: “Pois é! Fale com estranhos!”.

 

Na minha estada em Itacoatiara, na semana passada, observo um ambiente propício para a prática dos ensinamentos de Ortiz e passo a interagir com as principais atrações da cidade: os itacoatiarenses (qualquer referência à campanha publicitária “O melhor do Brasil é o brasileiro” é mera coincidência!). Shopping centers, centros culturais, cinemas? Que nada! Bacana no município é alugar uma bicicleta por R$ 2,00/hora e passear pela arborizada Avenida Parque. Parar em frente a uma casa simpática, bater palma e pedir um copo d’água. Rir do moleque tomando banho de mangueira com o cachorro maior do que ele no quintal. Pedir uma informação e receber um relatório da situação em que a cidade se encontra cedido pela senhora faladeira que não sai da esquina. E ainda, encontrar por acaso duas pérolas imperdoavelmente não fotografadas: a pizzaria “Hello Pizza” com uma Hello Kitty gigante pintada na fachada e um vendedor ambulante de dvd, vestido de pirata, ofertando seu produto: “Olha o piratinha! Olha o piratinha!”.

 

Pra quê sentir aquela angústia de não estar aproveitando tudo em cidades como São Paulo que oferecem centenas de peças, filmes e exposições simultaneamente? Pra quê fazer um city tour frenético em que 5 igrejas, 10 praças e 15 museus são visitados em 2 horas e fotografados da janela do ônibus? Proponho o “turismo da falta de opção”! Porque, em férias ou de folga, nada é melhor do que a consciência tranqüila de não fazer nada e saber que nada está sendo perdido. Quanto ao calor, acostuma. E economiza no chuveiro elétrico.

 

Obs.: Em breve neste blog: o evento que transforma Itacoatiara e tira a cidade da rota do “turismo da falta de opção”.

 

>>> Itacoatiara está situada a 175 km, em linha reta, de Manaus-Am. Possui cerca de 72 mil habitantes. Seu nome tem origem nhegatu que significa “pedra pintada”.

Publicado em:  on setembro 10, 2008 at 4:12 am Comentários (4)